Cerca de 40 milhões de colombianos foram convocados a votar neste domingo, 31 de maio, para eleger o próximo presidente do país. O novo presidente herdará o desafio de enfrentar a violência armada, que está enraizada na Colômbia há mais de 60 anos.
Desde segunda-feira, 25 de maio, mais de 1,4 milhão de eleitores colombianos no exterior já iniciaram a votação no primeiro turno da eleição presidencial. Caso nenhum dos 14 candidatos em disputa consiga mais de 50% dos votos, um segundo turno será realizado em 21 de junho.
Pesquisas eleitorais indicam que o resultado do pleito pode levar à continuidade da agenda de esquerda do governo atual, liderado por Gustavo Petro, ou a uma reaproximação da Colômbia com os Estados Unidos. O senador Ivan Cepeda, que é aliado de Petro e representa o Pacto Histórico, lidera as intenções de voto no primeiro turno, prometendo dar continuidade ao legado social de seu padrinho político. Se avançar para a segunda fase da eleição, seu provável adversário virá do campo da direita.
Uma pesquisa da AtlasIntel, divulgada em 23 de maio, mostrou que o advogado Abelardo de la Espriella, representante da direita, está com 36,3% das intenções de voto, enquanto Cepeda tem 37,7%. Espriella, admirador dos presidentes Javier Milei e Donald Trump, defende a livre iniciativa e a valorização da família tradicional, e sua campanha inclui uma abordagem “linha-dura” em relação à segurança.
A senadora conservadora Paloma Valencia, do Centro Democrático e ligada ao ex-presidente Álvaro Uribe, aparece em seguida nas intenções de voto, com 13,9%. Valencia se opõe à estratégia “Paz Total”, proposta por Petro, que busca a desmobilização dos grupos armados. Ela prometeu desenvolver um “Plano Colômbia 2.0” para o combate ao narcotráfico em parceria com os Estados Unidos.
O aumento da violência armada na Colômbia é um tema latente neste período eleitoral. Um relatório da Fundação Ideias para a Paz (FIP), divulgado em janeiro, apontou que o país iniciou o ano em um cenário de maior insegurança em comparação a eleições anteriores. O estudo revelou que os grupos armados colombianos encerraram 2025 com mais de 27 mil integrantes, representando um aumento de 23,5% em relação ao ano anterior. Além disso, as disputas entre as organizações armadas alcançaram o nível mais alto em uma década, com 115 confrontos — um crescimento de 34% em comparação a 2024.
De acordo com a FIP, o aumento dos confrontos está atrelado ao fim de acordos que possibilitavam a coexistência entre os grupos armados. O relatório destaca o caso da área andina de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela, onde um conflito armado pelo controle da região, propícia ao cultivo de coca, resultou em aproximadamente 117 mortes. Mais de 64 mil pessoas foram forçadas a deixar Catatumbo até 28 de abril de 2025, configurando uma das crises humanitárias mais graves da Colômbia desde a década de 1990.
Siga o Sergipe News e receba as notícias de Sergipe em primeira mão.








