O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, sua desistência da pré-candidatura ao Senado nas eleições deste ano. A decisão ocorre em um momento crítico, marcado pelo agravamento da crise política e jurídica no estado fluminense.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Castro revelou que essa foi “a decisão mais difícil” de sua vida. No entanto, fontes internas do PL já avaliavam que a sua pré-candidatura havia se tornado insustentável devido a diversos fatores.
Um dos principais motivos que levaram à desistência foi o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). Nos últimos 15 dias, o ex-governador enfrentou duas operações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e uma inelegibilidade imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A operação mais recente ocorreu na última terça-feira, 26 de maio, e investiga possíveis irregularidades relacionadas ao Master. De acordo com a PF, a relação de Castro com o banqueiro Daniel Vorcaro teria possibilitado um investimento de aproximadamente R$ 3 bilhões do Rioprevidência no banco, o que foi considerado “temerário e desprovido de justificativa técnica” pelo ministro André Mendonça, do STF.
Antes disso, em 15 de maio, Castro também foi alvo de uma operação da PF que apura suposto favorecimento à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, em um esquema de fraudes fiscais. Essa situação gerou um desgaste político significativo para o ex-governador.
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Dentro do PL, a permanência de Castro na chapa já era vista como um fator que poderia ampliar o desgaste eleitoral do partido no Rio de Janeiro. A avaliação interna era de que ele havia perdido a viabilidade política e jurídica para a disputa, especialmente devido à sua relação com Vorcaro e a condenação recente no TSE.
Castro concorreria ao Senado em uma chapa liderada por Douglas Ruas, com o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), como candidato a vice-governador, e Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo, disputando a segunda vaga ao Senado.
Com a saída de Castro, o PL iniciou discussões sobre possíveis substitutos. Entre os nomes cogitados estão os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do ex-secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi. A presença de Rogéria Bolsonaro, mãe dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, também foi mencionada nas conversas internas do partido.
A situação de Cláudio Castro já enfrentava resistência dentro do PL desde março, quando o TSE decidiu torná-lo inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Mesmo com um recurso apresentado por sua defesa, muitos aliados consideravam remota a chance de reversão dessa decisão.
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