A recente classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos foi alvo de críticas do promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Lincoln Gakiya. Em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, na manhã de sexta-feira, 29 de maio, ele afirmou que essa designação não traz benefícios imediatos para o Brasil.
Segundo Gakiya, a experiência anterior dos EUA com facções criminosas de outros países, como México e El Salvador, não resultou na diminuição do poder dessas organizações, que continuam a operar, inclusive, dentro do território estadunidense. “Não vejo, em que pese as pessoas estarem defendendo isso por uma politização do tema, o que pragmaticamente isso vai beneficiar”, destacou.
O promotor alertou que a nova classificação pode complicar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas e outras atividades criminosas. “A CIA passa a agir nesses casos e também os militares. Isso pode prejudicar a cooperação que já existe. É um pouco perigoso para o Brasil, na minha opinião, essa classificação”, afirmou.
“Considero essa uma possibilidade bastante remota. Mas a legislação americana permite que se faça, inclusive, ações secretas de natureza militar fora do território norte-americano e sem anuência do Estado onde essas operações serão realizadas”, disse Gakiya.
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Na noite de quinta-feira, 28 de maio, os EUA anunciaram a mudança na classificação das facções brasileiras. Para a ONU, para que um grupo seja considerado terrorista, é necessário que suas ações tenham motivação ideológica ou política, o que não se aplica ao CV e ao PCC.
A mudança de status das organizações abre a possibilidade de ações mais agressivas por parte dos EUA, como intervenções militares e sanções econômicas, o que poderia representar um risco à soberania do Brasil. Gakiya, que possui mais de 20 anos de experiência na investigação do PCC, considera, no entanto, que a probabilidade de uma intervenção militar americana no Brasil é baixa, principalmente devido aos acordos comerciais e tratados existentes entre os dois países.
“Não dá para comparar a força do estado brasileiro com a Venezuela”, ressaltou. Gakiya defendeu que o ideal seria o aprimoramento dos acordos de cooperação internacional nas investigações, com a criação de equipes conjuntas de combate ao crime organizado.








