O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, manifestou sua preocupação nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026, com a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em suas declarações, Amorim argumentou que essa medida pode ser utilizada como um “pretexto para intervenção” no Brasil.
A declaração de Amorim veio logo após o Departamento de Estado dos EUA anunciar que PCC e CV integrarão oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), a partir de 5 de junho. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, foi o responsável pelo anúncio desta ação, que coloca as facções brasileiras na mesma categoria de grupos como Hamas, Hezbollah e Estado Islâmico.
“Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda”, afirmou Amorim em uma nota enviada ao portal Metrópoles.
O assessor destacou que o combate ao crime organizado deve ser realizado por meio de uma cooperação internacional eficaz, especialmente em questões relacionadas à lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Ele ressaltou que a equiparação de organizações criminosas ao terrorismo “não ajuda” no enfrentamento ao crime, e que entender as motivações dessas organizações é essencial para garantir uma resposta eficiente.
O governo brasileiro, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, está cauteloso em relação a essa nova categorização. Diplomatas brasileiros expressaram preocupações de que a decisão dos EUA possa abrir precedentes para a atuação norte-americana em território nacional, ampliando os instrumentos jurídicos que Washington pode utilizar em ações internacionais de segurança.
Na última terça-feira, durante um discurso no Fórum Internacional de Segurança da Rússia, Amorim reforçou a importância de compreender as motivações das organizações criminosas para que o combate ao crime seja realmente eficaz. Sua análise reflete a postura do atual governo, que considera a política externa como uma das suas principais prioridades.
Amorim, que já foi ministro das Relações Exteriores nos mandatos anteriores de Lula, está acompanhando agendas diplomáticas na Rússia nesta semana, e sua voz se destaca nas discussões sobre segurança e política internacional.

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