A Câmara Municipal de Aracaju realizou, na tarde desta quinta-feira (6/11), audiência pública para apresentar e debater o Plano Plurianual (PPA) 2026-2029. O encontro reuniu vereadores, representantes do Executivo e membros da sociedade civil, que levaram demandas e questionamentos sobre o documento que orientará as ações do município nos próximos quatro anos.
Participaram da mesa o secretário municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão, Rodrigo Thyago da Silva Santos, e a coordenadora de Planejamento da pasta, Benigna Silva. O presidente da Casa, vereador Ricardo Vasconcelos, destacou que a audiência é etapa obrigatória antes da votação. “Esperamos, por meio dessas discussões, contribuir para o melhor plano possível para Aracaju”, afirmou.
Construção a partir de demandas populares
Rodrigo Thyago explicou que o PPA foi elaborado a partir de consultas populares e já contempla projetos solicitados pela comunidade, como a “cidade do autista” e a construção de um hospital veterinário. Benigna Silva acrescentou que saúde, educação e infraestrutura concentram as principais reivindicações registradas em audiências anteriores e em consultas on-line.
Parlamentares pedem ajustes
A vereadora Sônia Meire (PSOL) considerou o plano abrangente, mas cobrou inclusão de pautas ambientais e sinalizou que apresentará emendas. Elber Batalha (PSB) questionou a projeção de atendimento a 60 mil crianças na educação infantil — o IBGE aponta pouco mais de 49 mil — e criticou a ausência de atas do Conselho Municipal de Saúde e a falta de numeração dos programas.
Camilo Daniel (PT) solicitou detalhes sobre projetos de mobilidade urbana e perguntou se iniciativas como a cannabis medicinal e sistemas integrativos de saúde estão contempladas, além de políticas de agricultura urbana. Já Fábio Meireles (PDT) comparou o PPA com o plano de governo da prefeita Emília Corrêa e apontou divergências, citando a previsão de apenas uma nova creche no Centro e a falta de clareza em ações para estudantes com necessidades especiais e revitalização de bibliotecas.
Sociedade civil apresenta demandas
Nivaldo Fernando, presidente do Sepuma, cobrou recursos para saúde do servidor e repasses ao Ipes. O secretário respondeu que o problema foi herdado da gestão anterior, mas que a prefeita está comprometida em resolver.
Representantes da Comissão de Concursos da Semed, Edilaine Guimarães e Rodrigo Matos, exigiram orçamento para convocação dos aprovados, frisando que duas mil crianças aguardam matrícula. O vereador Lúcio Flávio afirmou que 200 concursados já foram chamados e que a prefeitura pretende avançar na lista.
O babalorixá Rafhael Almeida Oliveira, do Conselho Municipal de Igualdade Racial, questionou a inserção de políticas para igualdade racial e população LGBT. A líder comunitária Viviane Cristina, do bairro Lamarão, pediu a construção de um hospital para crianças com transtorno do espectro autista e convocação de professores especializados. O secretário mencionou o projeto Florescer, destinado a pessoas neurodivergentes, e a “cidade do autista”, que prevê pontos de acolhimento em toda a capital.
Estrutura do PPA
O Plano Plurianual de Aracaju estabelece três eixos estratégicos — equidade social, transformação urbana e gestão estratégica com inovação —, 20 objetivos e 60 projetos. A receita estimada para 2026-2029 ultrapassa R$ 21 bilhões.
As cinco secretarias com maiores orçamentos projetados são: Infraestrutura (cerca de R$ 5,2 bilhões), Saúde (R$ 4,2 bilhões), Planejamento, Orçamento e Gestão (incluindo Ajuprev, R$ 4,1 bilhões), Educação (R$ 3,1 bilhões) e Fazenda (aproximadamente R$ 732 milhões).
Após a audiência, o PPA seguirá para análise das comissões permanentes e, em seguida, será submetido à votação em plenário.
Com informações de Câmara Municipal de Aracaju
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