O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), declarou em evento realizado na última segunda-feira, 25 de maio de 2026, que não deseja iniciar um processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas acredita que essa possibilidade “vai acontecer” caso ele assuma o Palácio do Planalto.
Caiado argumentou que a Corte teria sido “gravemente atingida” por episódios envolvendo problemas pessoais de alguns de seus ministros. Ele ressaltou que questões individuais não devem comprometer a imagem institucional do STF, nem ser “acobertadas” por interpretações do próprio tribunal.
As acusações relacionadas ao Banco Master envolvem transações que supostamente beneficiaram familiares de ministros do Supremo, incluindo R$ 80 milhões destinados ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes e R$ 6,6 milhões vinculados a cotas de um resort dos irmãos de Dias Toffoli.
“Pessoas que são atingidas com denúncias sobre a sua trajetória de vida deveriam ser afastadas para que respondessem”, disse Caiado. “Aí, sim, o Supremo guardaria a sua condição de imparcialidade nos julgamentos de temas relevantes, como se precisa.”
As declarações foram feitas durante um encontro de presidenciáveis promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Aos empresários presentes, Caiado comparou a situação do STF com a de empresas, afirmando que, ao desrespeitar as regras de ética, os ministros deveriam ser tratados da mesma forma.
“A não acontecer isso, qual é o segundo passo? É o segundo passo de mais uma crise que nós teremos no Brasil, chegando à Presidência. É algo que eu não queria, mas que vai acontecer, que vai ser a segunda etapa. Se o Supremo não tomar essa decisão, qual é o segundo passo? O impeachment”, continuou o goiano.
Ele destacou que, embora o processo de impeachment de um ministro do Supremo seja mais rápido do que o de um presidente da República, por tramitar apenas no Senado, tal medida poderia gerar uma crise institucional. Na avaliação de Caiado, o STF está atravessando um período de forte contestação e, para que o país avance, a própria Corte deve demonstrar capacidade de “cortar na própria carne”.
“Nada (mais) será discutido. Porque cada ano vai ser um cassado, ou vão cassar dois cada vez, como vai ficar isso?”, indagou.


