Moradores de Aracaju participaram, na noite de sexta-feira, 31 de outubro, do protesto “Chamada Geral Contra a Morte”, realizado na Praça Roosevelt, no Bairro América, em solidariedade às 121 vítimas da maior chacina já registrada no Brasil, ocorrida no Rio de Janeiro.
A mobilização foi organizada pelo Fórum de Entidades Negras de Sergipe, Rede de Mulheres Negras de Sergipe, Coletivo Saudade e Marcha das Mulheres Negras. A Central Única dos Trabalhadores em Sergipe (CUT/SE) se juntou ao ato por meio do secretário de Organização e Política Social, Paulo Lira, e da secretária de Combate ao Racismo, Arlete Silva.
Durante a manifestação, Paulo Lira afirmou que “vidas humanas têm valor” e condenou a atuação do governador Fábio Mitidieri, criticando declarações que, segundo ele, ignoraram o luto das famílias. Lira ressaltou que a chacina fere os direitos humanos e lembrou que a pena de morte é ilegal no país.
Arlete Silva destacou que a escolha do Bairro América foi estratégica para alertar moradores das periferias sobre o que classificou como “política de Estado genocida”. Ela citou os assassinatos no Morro da Penha e no Complexo do Alemão, no Rio, como exemplos de violência que não deve ser normalizada.
Letalidade policial em Sergipe
Sergipe figura entre os estados com maiores índices proporcionais de mortes causadas por agentes de segurança. Dados da 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2024, Itabaiana registrou 41 mortes violentas; 31 delas (75,6%) ocorreram em confrontos envolvendo policiais.
Levantamento do Ministério da Justiça mostra que 145 pessoas suspeitas de crimes foram mortas pela polícia sergipana em 2024, número superior ao contabilizado em 17 unidades da federação, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Pernambuco. Desde 2020, o estado soma cerca de 1.200 mortes provocadas por forças de segurança.
Com informações de FaxAju
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