Brasília – A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) divulgou a diretriz “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária” e alertou para o aumento do risco de mortes em sinistros de trânsito após a entrada em vigor da Medida Provisória 1.327/2025, que permite a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a realização de exames médicos.
Velocidade e lesões
Segundo o documento, elevar o limite de velocidade de uma via em apenas 5% pode ampliar em até 20% o número de vítimas fatais. A Abramet sustenta que a energia gerada em colisões cresce exponencialmente junto com a velocidade e ultrapassa rapidamente a capacidade do corpo humano de absorver impactos, sobretudo de pedestres, ciclistas e motociclistas.
A associação também cita o crescimento da frota de SUVs e veículos com frente elevada, apontando maior potencial de lesões fatais mesmo em velocidades moderadas.
Renovação automática da CNH
A MP 1.327/2025 beneficiou 323.459 condutores na primeira semana de vigência, segundo dados do governo federal, proporcionando economia estimada em R$ 226 milhões com taxas e exames. Foram contemplados motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), que não tenham cometido infrações nos últimos 12 meses.
Entre os beneficiados, 52% possuem CNH da categoria B (carros), 45% são das categorias AB (carros e motocicletas) e 3% têm habilitação exclusiva para motos (categoria A). Condutores profissionais das categorias C e D completam o grupo.
Regras e exceções
Permanecem fora do processo automático os motoristas com 70 anos ou mais, que precisam renovar a habilitação a cada três anos, e aqueles que tiveram a validade reduzida por recomendação médica. Também não entram na nova regra condutores com documento vencido há mais de 30 dias.
Para motoristas acima de 50 anos, cuja CNH deve ser renovada a cada cinco anos, a renovação automática será autorizada apenas uma vez.
Aspectos clínicos
Na avaliação da Abramet, doenças neurológicas, cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose, envelhecimento e sequelas de traumas reduzem a tolerância humana a impactos, exigindo acompanhamento individualizado periódico. “A aptidão para dirigir não é permanente”, afirma o presidente da entidade, Antonio Meira Júnior.
Recomendações
A entidade sugere a adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância do corpo humano, campanhas educativas permanentes e políticas de gestão de velocidade. A Abramet defende que decisões sobre trânsito considerem dados biomecânicos e clínicos, e não apenas critérios de fluidez ou conveniência administrativa.
Com informações de Infonet
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