Em Israel, a organização da jornada de trabalho difere significativamente dos padrões brasileiros e de outros países ocidentais. A carga média semanal é de 42 horas, resultado de uma interação entre a legislação trabalhista moderna e a tradição religiosa judaica, com o Shabat, o dia sagrado de descanso, desempenhando um papel central.
O termo Shabat, que não se traduz diretamente como sábado, tem origem no hebraico e deriva de shavat, que significa descansar ou parar. O descanso inicia ao pôr do sol na sexta-feira e se estende até o anoitecer de sábado, em alusão ao relato bíblico da criação, onde Deus descansou no sétimo dia após criar o mundo em seis dias.
A semana de trabalho em Israel começa no domingo e se estende até a quinta-feira, com jornadas completas. Na sexta-feira, a carga horária é reduzida para cerca de duas horas. Embora muitos empregos formais sigam uma carga de cinco dias, o sábado é sempre reservado para o descanso religioso e familiar, especialmente para os trabalhadores judeus. Trabalhadores muçulmanos e cristãos, por sua vez, têm direito a folgar na sexta-feira ou no domingo, de acordo com suas tradições.
A legislação trabalhista israelense, instituída pela Lei de Horas de Trabalho e Descanso de 1951, estabelece o Shabat como o dia oficial de repouso para judeus, embora tenha sido atualizada ao longo dos anos. A norma originalmente limitava a jornada semanal a 47 horas, mas esse limite foi reduzido para 42 horas em 2018, refletindo a evolução do país como uma potência tecnológica.
Qualquer trabalho que ultrapasse essa carga horária é classificado como hora extra, com um máximo legal de 12 horas por dia, incluindo horas adicionais. No entanto, existem exceções para cargos de alta gestão e confiança pessoal. A pausa diária para jornadas de seis horas ou mais é de pelo menos 45 minutos, com pelo menos 30 minutos ininterruptos.
De acordo com o professor Yedidia Stern, a relação entre o Shabat e a economia israelense evidencia uma desconexão entre a legislação e a prática. Aproximadamente 17% da força de trabalho atua no sábado, enquanto muitos comércios funcionam sem autorização do Ministério da Economia. Em cidades mais religiosas, como Jerusalém, é comum que as ruas permaneçam vazias durante o Shabat.
“Na realidade, há uma discrepância aqui, sabemos que muitas outras lojas, shoppings e até fábricas trabalham no Shabat sem permissão”, afirmou Stern.
Ele observa que a ideia de uma lei do Shabat não se alinha exatamente ao sistema jurídico israelense, que é estruturado em torno da Lei de Horas de Trabalho e Descanso. Para Stern, o foco deve ir além do cumprimento da lei, abrangendo a dimensão social e identitária que o Shabat representa para o Estado de Israel. O Shabat não é apenas um rito religioso, mas um elemento fundamental da identidade israelense.
“Shabbat é muito mais do que religião. A principal questão não é se a lei é cumprida ou não, mas o que significa sermos um Estado judeu”, concluiu Stern.



