Roda de conversa do Agosto Lilás debateu direitos, proteção e estratégias contra a violência às mulheres. Delegada, advogada e especialista participaram do encontro em Sergipe.
Como parte das ações do Agosto Lilás, o Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) promoveu, nesta quinta-feira (13), o evento “Entre mulheres: direitos, proteção e futuro”, uma roda de conversa abordando as diferentes formas de violência de gênero e as estratégias para combatê-las.
O evento contou com a presença de importantes convidadas, como a delegada da Polícia Civil de Sergipe, Lara Schuster, a advogada e fundadora do Instituto Ressurgir, Valdilene Martins, e a especialista em comportamento financeiro, Marina Farias. A vice-procuradora-chefa do MPT-SE, Clarisse Farias Malta, atuou como mediadora e ressaltou a importância de combater a violência nos ambientes de trabalho.
“Sabemos que avançamos, mas ainda lidamos diariamente com preconceito, desqualificação, julgamento e todas as formas de violência de gênero no ambiente de trabalho: um local que deveria ser de autonomia, construção e reconstrução”, destacou a procuradora.
A delegada Lara Schuster, que atua na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher em Sergipe (DEAM), trouxe dados alarmantes sobre a violência no estado, ressaltando a importância do conhecimento da Lei Maria da Penha. “Este ano, já são 14 feminicídios em Sergipe, e no ano passado foram 15. Precisamos que todos se conscientizem e conversem sobre o assunto. A Lei Maria da Penha é uma das melhores na proteção das vítimas, mas muitas pessoas falam dela sem conhecer seu conteúdo”, alertou.
A advogada Valdilene Martins enfatizou que o combate à violência passa pela superação de padrões sociais que relegam a mulher a uma posição secundária. “A violência não é apenas física; comportamentos que limitam as mulheres também são formas de violência”, afirmou.
A dependência financeira das mulheres foi outro ponto abordado, com a especialista Marina Farias reforçando a necessidade de desconstruir a ideia de que as mulheres não entendem de planejamento financeiro. “A violência patrimonial começa sutilmente. Precisamos naturalizar que a mulher também entende e deve ter sua autonomia financeira”, disse Farias.
O evento ainda contou com a participação de integrantes da Capitania dos Portos de Sergipe, que destacaram a importância de incluir os homens na discussão sobre a violência contra a mulher. “Vamos levar os aprendizados de hoje para nosso cotidiano”, afirmou a cabo Amanda Ribeiro.
A servidora Carolina Garcia Oliva também considerou o encontro positivo, ressaltando que a participação dos homens é fundamental para o debate. “A presença de servidores homens é sempre importante para manter um ambiente de diálogo”, concluiu.
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