A fintech adquiriu o Banco Porto Real de Investimentos e aguarda aval do Banco Central. A jogada garante licença bancária e amplia o poder da empresa no mercado financeiro nacional.
O Nubank anunciou nesta segunda-feira, 20, a aquisição do Banco Porto Real de Investimentos. A transação, que ainda aguarda aprovação do Banco Central (BC), é parte da estratégia da fintech para obter uma licença bancária no Brasil.
Fundado em 1992 no Rio de Janeiro, o Banco Porto Real de Investimentos S.A. é uma instituição financeira de pequeno porte que atua na concessão de crédito a clientes de atacado. A intenção do Nubank de conquistar uma licença bancária já havia sido comunicada ao mercado em dezembro de 2025.
Em novembro do ano passado, o BC determinou que instituições de pagamento e fintechs não poderiam usar em seus nomes expressões como “banco” ou “bank” sem a autorização formal para operar como bancos. Segundo o BC, essa medida visa coibir o uso indiscriminado do termo “banco” por empresas que não possuem a autorização específica.
“Será vedado às instituições utilizar termos que sugiram atividade ou modalidade de instituição, em português ou em língua estrangeira, para a qual não tenham autorização de funcionamento específica”, informou o BC na época.
A aquisição do Nubank é considerada emblemática devido à relevância da instituição, reconhecida por muitos como um banco. Com a mudança, é possível que outras fintechs, que operam sob licença de instituição de pagamento, não possam mais utilizar o termo “banco” em seus nomes.
Em nota, o Nubank destacou que, após a finalização do processo de aquisição, “a licença bancária do Banco Porto Real se somará às outras licenças com as quais o Nubank já opera e que atendem plenamente ao seu modelo de negócios”. A empresa assegurou que “todas as obrigações assumidas pelo Banco Porto Real serão cumpridas conforme as diretrizes estabelecidas no acordo de aquisição”.
O Nubank afirmou ainda que nada mudará para os 115 milhões de clientes no país. O aplicativo, produtos, serviços, marca e nome da instituição permanecerão os mesmos. A CEO do Nubank Brasil e América Latina, Livia Chanes, afirmou: “Nosso DNA de inovação segue intacto e seguimos comprometidos em aprofundar nossa relação com cada cliente, oferecendo mais soluções com a mesma simplicidade que sempre nos definiu”.
Em março deste ano, o Nubank se filiou à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e atualmente é a maior instituição financeira privada do país em número de clientes. Para 2026, a fintech anunciou um investimento de R$ 45 bilhões.
De acordo com a determinação do BC, todas as instituições de pagamento que utilizam termos como “banco” ou “bank” deverão ser regularizadas, seja por meio de mudança de marca, adequação de nome fantasia ou reestruturação societária, para não correrem o risco de sanções regulatórias. A norma visa evitar confusão para os consumidores e impedir que fintechs sem licença bancária se apresentem como se tivessem os mesmos direitos e garantias de um banco tradicional.
A medida faz parte de um endurecimento regulatório mais amplo sobre fintechs e instituições de pagamento, com o BC recentemente elevando os requisitos de capital exigidos dessas empresas, visando fortalecer a solidez do sistema financeiro.
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