A recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras trouxe à tona as particularidades dessas duas facções criminosas que dominam o cenário nacional. Embora ambas tenham surgido no sistema prisional, suas estruturas e estratégias são bastante diferentes.
O Comando Vermelho foi fundado na década de 1970, no presídio de Ilha Grande, no Rio de Janeiro. Desde então, a facção se consolidou em favelas e comunidades cariocas, exercendo forte controle territorial. Ao longo dos anos, o CV se envolveu em confrontos frequentes com as forças de segurança.
Por outro lado, o PCC surgiu em 1993, na Penitenciária de Taubaté, em São Paulo. Sua criação ocorreu durante uma partida de futebol entre detentos, com o intuito inicial de proteger os presos contra abusos, especialmente após o Massacre do Carandiru, em 1992, onde 111 detentos foram mortos.
Com o tempo, o PCC ampliou sua atuação, expandindo sua influência nos presídios paulistas e, posteriormente, ingressando no tráfico internacional de drogas. A facção estabeleceu rotas estratégicas, especialmente nas fronteiras com Paraguai e Bolívia, garantindo uma hegemonia criminosa que se mantém até hoje.
Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, é uma das principais lideranças do PCC, atualmente preso. Sob sua influência, a facção se organizou internamente e se destacou em episódios marcantes da segurança pública no Brasil, como a mega rebelião de 2001, que mobilizou diversas unidades prisionais em São Paulo, e os ataques de 2006 contra agentes públicos.
“O PCC coordena operações de forma mais discreta e empresarial, enquanto o CV mantém uma forte presença territorial”, afirma especialista no assunto.
Entre as principais diferenças, está a forma de exercer o poder. O Comando Vermelho mantém um domínio territorial que utiliza como controle do tráfico, enquanto o PCC opera de maneira mais velada, focando na logística do tráfico e na influência no sistema prisional.
Historicamente, PCC e CV coexistiram em certa aliança até 2010, quando a relação foi rompida, levando a uma disputa por controle de presídios e rotas de tráfico. Atualmente, ambas as facções atuam em diversas regiões do Brasil, incluindo a Amazônia Legal e áreas de fronteira, onde a violência pelo controle do tráfico se intensificou.
Essas facções seguirão a ser as mais influentes do Brasil, impactando diretamente o tráfico de drogas, o sistema penitenciário e a segurança pública no país.
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