A disputa pelas vagas ao Senado em Pernambuco está gerando uma crise interna no Partido Liberal (PL), com um aumento significativo no desgaste entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e a direção do partido no estado.
Recentemente, caciques do PL se mobilizaram para barrar candidaturas associadas ao bolsonarismo. Essa tensão se intensificou após a desistência do ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), em concorrer ao Senado. De acordo com informações de interlocutores do partido, Anderson comunicou sua decisão ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e ao senador Rogério Marinho (PL-RN). Fontes indicam que ele deverá optar por uma candidatura à Câmara dos Deputados em 2026, uma vez que era o nome preferido da cúpula do PL para a Casa Alta.
Aliados de Bolsonaro levantam suspeitas de que a pré-candidatura de Anderson ao Senado funcionou apenas para dificultar a candidatura do ex-ministro Gilson Machado, que é o favorito do ex-presidente. Após ser informado por lideranças do PL que não participaria da disputa pelo Senado, Gilson decidiu deixar o partido e se transferir para o Podemos, que espera que ele seja um puxador de votos na Câmara.
Gilson Machado, que foi ministro do Turismo, obteve 1,3 milhão de votos na eleição para o Senado em 2022, terminando em segundo lugar, atrás de Teresa Leitão (PT), que conquistou pouco mais de 2 milhões de votos.
Conforme informações de interlocutores próximos ao ex-ministro, o PL optou por manter acordos políticos locais, o que resultou na exclusão de quadros próximos ao bolsonarismo. Aliados de Gilson atribuíram o afastamento de candidaturas ligadas a Bolsonaro a uma articulação que envolve Valdemar Costa Neto, Rogério Marinho e os irmãos Anderson e André Ferreira, que são os principais líderes do PL em Pernambuco.
A crise enfrentada em Pernambuco reflete uma situação semelhante que ocorre em outros estados, onde diretórios estaduais do PL têm resistido a candidaturas ao Senado que contam com o apoio direto de Bolsonaro. Estados como Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Roraima também estão passando por disputas internas semelhantes.
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