A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, aprovou, na última sexta-feira, 29 de maio de 2026, um relatório que afirma que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976.
A aprovação do relatório ocorreu na manhã de ontem, com a maioria dos votos do colegiado, sendo seis a favor e uma abstenção. Com a validação dos resultados, a comissão agora terá a tarefa de trabalhar na retificação da certidão de óbito do ex-presidente, conforme a Resolução CNJ 601/2024.
O documento elaborado pela relatora Maria Cecília Adão contesta a versão oficial da época, que atribuía a morte de Kubitschek a um acidente de carro. Desde novembro de 2024, a relatora tem se debruçado sobre o caso, coletando dados de diversos elementos públicos, incluindo um inquérito do Ministério Público Federal de 2019.
“A premissa na qual muitos se baseavam para justificar o acidente como fatalidade, ou seja, a batida de um ônibus na traseira do veículo, jamais ocorreu”, declarou o Ministério Público Federal sobre a principal conclusão do relatório.
Além disso, apesar de a Comissão Nacional da Verdade ter descartado a possibilidade de que o acidente tenha sido causado intencionalmente, as Comissões Estaduais da Verdade de São Paulo e Minas Gerais, além da Comissão Municipal de São Paulo, sustentaram a hipótese de que o ex-presidente poderia ter sido vítima de um atentado político.
Essa nova conclusão marca um passo significativo no reconhecimento dos crimes cometidos durante a ditadura militar no Brasil, trazendo à tona a necessidade de revisitar e reavaliar eventos que moldaram a história do país. A busca pela verdade sobre as mortes e desaparecimentos políticos continua, e essa decisão da CEMDP representa uma importante vitória na luta por justiça e esclarecimento histórico.
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