A Polícia Civil concluiu as investigações da Operação Vérnix na última sexta-feira, 29 de maio de 2026. Durante a ação, foram indiciados a influenciadora Deolane Bezerra, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e mais cinco pessoas. Todos os indiciados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A advogada Deolane Bezerra foi presa no dia 21 de maio em um condomínio de luxo na região metropolitana de São Paulo. A investigação revelou que ela recebeu verbas de uma transportadora controlada pela facção criminosa. Novos documentos foram coletados, evidenciando a materialidade dos delitos financeiros, e o relatório final já foi enviado ao Poder Judiciário para análise.
O documento elaborado pela polícia detalha o papel de cada integrante na estrutura criminosa. Marcola e seu irmão, Alejandro Herbas Camacho, que cumprem pena em presídios federais, coordenavam uma empresa de fachada. Os filhos de Alejandro, Leonardo e Paloma Herbas Camacho, eram responsáveis pela administração dos recursos e pela comunicação das ordens aos operadores do esquema.
A investigação ainda revelou que o contador Eduardo Affonso Rodrigues abriu empresas fantasmas para ocultar o fluxo financeiro do grupo. O operador conhecido como Everton de Souza, também chamado de Player, enviava dinheiro para as contas de Deolane Bezerra, sendo que a influenciadora teria adaptado seu plano criminoso após prisões anteriores de outros influenciadores digitais.
Os investigadores identificaram a participação de Deolane ao rastrear Everton de Souza, que gerenciava os bens da cúpula do PCC. Ele era responsável pelos depósitos bancários da Lopes Lemos Transportadora para a conta da influenciadora, integrando esses valores ao balancete mensal da quadrilha.
Os peritos verificaram depósitos diretos que totalizavam R$ 24,5 mil nas faturas de Deolane, além de uma entrada de R$ 1 milhão em espécie, sem origem declarada, entre 2018 e 2021. A defesa da influenciadora contestou as acusações, alegando que os valores são provenientes de honorários por serviços jurídicos prestados a clientes.
A investigação teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que mencionavam uma mulher responsável por levantar endereços de autoridades para futuros atentados. Em 2021, a Polícia Civil localizou a transportadora durante a Operação Lado a Lado, e o cruzamento de dados revelou o crescimento patrimonial sem lastro da empresa fictícia.
Durante as buscas de 2021, foram apreendidos celulares com comprovantes bancários destinados a Deolane. Essa descoberta levou a nova fase da operação, e a Justiça analisa agora pedidos de bloqueio de bens, custódia de joias e sequestro de veículos de luxo. Informações também estão sendo compartilhadas com a Polícia Federal para investigar possíveis crimes fiscais.
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