A deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP) afirmou em entrevista nesta quarta-feira, 27 de maio, que o Senado Federal representa uma “grande incógnita” após a votação na Câmara dos Deputados que visa o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. A votação está programada para ocorrer na noite do mesmo dia.
Hilton destacou a necessidade de replicar a estratégia utilizada na Câmara para conquistar apoio no Senado. “Vamos ter que mostrar que é uma matéria importante, que tem apelo popular e que a sociedade está atenta a essa votação”, declarou.
A deputada frisou que o melhor caminho para garantir a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) é aproveitar a expectativa popular para beneficiar os trabalhadores também no Senado. “Há uma ansiedade gigante por parte da sociedade com essa votação. Caso aprovado na Câmara, essa ansiedade tende a ser triplicada e este triplicar deve ser o caminho de convencimento para que nós possamos destravar a matéria na casa”, explicou.
Após a votação na Câmara, Érika Hilton planeja se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para “sentir a temperatura” sobre a proposta. “No Senado, de fato, nós temos tido essa preocupação, por isso que, após superada a votação na Câmara dos Deputados, nós vamos pedir uma agenda com o presidente Davi Alcolumbre para sentir a temperatura”, completou.
A parlamentar também ressaltou a importância de entender como os senadores se comportarão, uma vez que as “manobras” que poderão ocorrer ainda são incertas. Ela manifestou esperança de que a votação na Câmara transcorra de maneira tranquila e que o resultado seja amplamente favorável ao fim da escala 6×1. “Nossa expectativa é que consigamos votar com um placar até bastante favorável”, finalizou.
Caso os deputados aprovem a PEC, a proposta seguirá para deliberação no Senado Federal.
A votação da PEC na Câmara foi precedida pela aprovação da comissão especial da Casa. O texto propõe a redução da jornada máxima de 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial, e aumenta a folga semanal para dois dias, que não precisam ser consecutivos. O relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), argumentou que a transição para a jornada de 40 horas, aliada à garantia de dois dias de repouso semanal remunerado e à manutenção dos salários, é uma medida viável e necessária, que resgata a promessa constitucional de valorização do trabalho e dignidade da pessoa humana.
Na segunda-feira, 25 de maio, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados chegaram a um acordo de que as medidas da PEC entrarão em vigor em 60 dias. Durante esse período, a jornada de trabalho será reduzida de 44 horas para 42 horas, e, após um ano, cairá para 40 horas.
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