O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, não descartou a possibilidade de formar alianças ainda no primeiro turno, especialmente com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD). Essa articulação visa viabilizar uma nova candidatura de direita em substituição ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que atualmente lidera as pesquisas de intenção de voto na disputa contra o presidente Lula (PT).
As declarações de Zema foram feitas na última terça-feira, 26 de maio, durante um evento com investidores em São Paulo. O ex-governador mencionou que a definição sobre alianças deve ocorrer à medida que o cenário político evolui. Ele afirmou: “Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”. Essa referência se relaciona ao calendário da Justiça Eleitoral, que estipula até 15 de agosto como prazo para o registro das candidaturas.
Zema ressaltou que o cenário político deve continuar se transformando até a reta final do processo eleitoral, afirmando: “Vai mudando à medida que o tempo avança, e acaba fazendo sentido essa definição tardia. Eu tenho dito que vou levar a minha pré-campanha e campanha até o final”.
O ex-governador ainda destacou sua boa relação com Caiado, indicando abertura para composições. “Me dou muito bem com o Caiado”, disse Zema. Ao ser questionado sobre uma possível candidatura a vice na chapa de Caiado, respondeu de forma descontraída: “Não pode ser o contrário?”. Ele também mencionou a proximidade política e administrativa entre Minas Gerais e Goiás, ressaltando a convivência harmoniosa com outros governadores.
“Eu gosto dele. No meu governo, criamos um consórcio, com sete governadores, e me dei muito bem com todos, inclusive com o Tarcísio. Goiás e Minas são quase Estados gêmeos, com uma semelhança muito grande”.
Apesar das sinalizações de composições, Zema afirmou que, independentemente de quem avance ao segundo turno no campo da direita, haverá união para derrotar Lula. “Nós vamos estar juntos contra o grande objetivo nosso, que é combater a esquerda”, destacou.
Na última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, 22 de maio, Lula aparece com 47% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro tem 43%. A pesquisa anterior mostrou que Lula e Flávio estavam empatados em 45%. Após as revelações sobre a produção do filme Dark Horse, Lula oscilou para cima e Flávio para baixo.
No evento, Zema também criticou Flávio Bolsonaro, afirmando que a eleição será marcada pela indignação do eleitorado. Ele sugeriu que a crise envolvendo o Banco Master pode impactar candidaturas associadas ao episódio. Referindo-se indiretamente à visita de Flávio a Daniel Vorcaro, Zema afirmou que os eleitores não aceitariam candidatos que se reuniram com “banqueiro bandido”.
Na área econômica, Zema criticou as distorções no mercado de trabalho e em programas sociais, argumentando que o modelo atual de redistribuição de renda, como o Bolsa Família, estaria criando uma “geração de emprestáveis”. “O que tem de marmanjão, de 20, 30 anos, recebendo Bolsa Família e complementando esse Bolsa Família com bicos eventuais, não está escrito”, afirmou.
Ele destacou a necessidade de estabelecer regras mais rígidas para beneficiários que recusam oportunidades de trabalho, afirmando que o sistema atual pode desestimular a qualificação profissional. Contudo, Zema reconheceu que existem grupos que devem continuar sendo atendidos por políticas sociais, como mães com filhos pequenos.
Na segurança pública, Zema criticou a condução do tema no País, argumentando que enquanto as políticas forem formuladas por sociólogos e não por profissionais da área policial, os resultados tendem a ser insuficientes.
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