A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, na quinta-feira, 28 de maio, a Operação Falsa Las Vegas. A ação visa desmantelar uma organização criminosa suspeita de operar plataformas clandestinas de apostas e de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 5,2 bilhões em bens e ativos financeiros vinculados aos investigados. Além disso, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) autorizou o sequestro de 76 imóveis relacionados ao grupo.
Entre os bens apreendidos estão um helicóptero avaliado em R$ 15 milhões e cinco veículos de luxo. Em uma das residências alvo da operação, a polícia encontrou R$ 600 mil em espécie dentro de uma caminhonete Volkswagen Amarok.
As equipes policiais cumpriram 22 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão preventiva na capital paulista e na região metropolitana. Até o momento, duas pessoas foram detidas, mas suas identidades não foram divulgadas, o que impossibilitou a localização de suas defesas.
A operação é conduzida pela 3ª Delegacia de Fraudes Financeiras e Econômicas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em parceria com promotores do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp) do Ministério Público paulista.
As investigações tiveram início a partir de informações coletadas durante a Operação Falso Mercúrio, realizada em dezembro do ano passado. O Deic informou que o grupo mantinha plataformas de apostas que ofereciam jogos proibidos no Brasil, incluindo modalidades virtuais que ganharam popularidade nas redes sociais.
Para encobrir suas atividades ilegais, os investigados utilizavam empresas formalmente registradas. Segundo a SSP, os criminosos se valiam de pessoas nomeadas como proprietárias das empresas, mas que não tinham controle efetivo sobre os negócios.
As apurações também revelaram que a organização movimentava grandes quantias em dinheiro vivo, fragmentando os valores em depósitos menores em diversas contas bancárias, o que dificultava o rastreamento da origem dos recursos e a identificação dos responsáveis pelas operações.
Durante as buscas, a polícia apreendeu cadernos manuscritos, documentos financeiros, registros ligados às plataformas investigadas e outros materiais considerados essenciais para mapear a estrutura da quadrilha.
Os investigadores identificaram que parte dos recursos movimentados pela organização chegou a pessoas supostamente envolvidas na morte do delator Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
“As análises financeiras apontaram transações consideradas incompatíveis com atividades econômicas lícitas e revelaram um sofisticado sistema de ocultação patrimonial e lavagem de capitais”, afirmou a SSP em nota.
As investigações seguem em andamento para identificar novos envolvidos e aprofundar o rastreamento da estrutura financeira do esquema criminoso.



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