Mensagens telefônicas apreendidas pela Polícia Federal (PF) mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, tentou pressionar o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, utilizando intermediários. O objetivo era encerrar uma representação que estava sendo analisada no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), relacionada aos negócios de sua instituição financeira.
Os diálogos interceptados indicam que Vorcaro mobilizou aliados logo após o deputado estadual Luiz Paulo (PSD) protocolar a queixa, que exigia esclarecimentos sobre a aplicação suspeita de pelo menos R$ 900 milhões do fundo de pensão estadual, o Rioprevidência, em papéis do Banco Master. Essas aplicações ocorreram sem qualquer lastro ou garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
“Dei uma porrada grande aqui em Kassab”, escreveu Fernando de Goes Mascarenhas Filho, funcionário que atuou como intermediário na negociação.
Além de Mascarenhas Filho, o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, também foi utilizado no plano. Gilberto Kassab confirmou que recebeu contatos dos emissários do banco, mas alegou que repassou a situação ao então chefe do PSD fluminense, Pedro Paulo, instruindo-o a prosseguir com as denúncias e a ignorar os pedidos do banco.
A PF intensificou as investigações sobre o esquema que envolvia o Rioprevidência, resultando em prisões preventivas de servidores públicos, incluindo o ex-presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes. As investigações revelaram que o rombo total planejado pelos operadores da fraude poderia chegar a cerca de R$ 3 bilhões.
Os relatórios técnicos indicam que Daniel Vorcaro buscava se aproximar da cúpula do governo do Rio de Janeiro com agrados luxuosos para garantir contratos milionários. Entre os mimos listados pela PF estavam rodadas de uísques raros, carnes folheadas a ouro, camarotes exclusivos em eventos e jantares acompanhados de garrafas de vinho avaliadas em até R$ 6 mil.
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