A aprovação em dois turnos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fim da Escala 6×1 na Câmara dos Deputados, na noite de quarta-feira, 27 de maio de 2026, deu início a uma nova fase de disputas políticas, especialmente em relação ao andamento da proposta no Senado Federal.
Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmam que a proposta deve seguir o rito completo na Casa Alta. Alcolumbre não pretende acelerar a tramitação, contrariando as expectativas do governo.
“Amanhã, discutiremos o calendário da PEC com líderes partidários”, afirmou um dos assessores de Alcolumbre.
A proposta precisará passar por várias etapas, incluindo a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e uma comissão especial antes de ser analisada em plenário. Essa decisão indica que o presidente do Senado está determinado a cumprir rigorosamente as etapas regimentais.
A pressão do governo Lula para que a tramitação ocorra de forma urgente é evidente. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, revelou que já está em diálogo com Alcolumbre para tentar aprovar a PEC rapidamente.
O Palácio do Planalto planeja implementar a nova jornada de trabalho ainda em 2026, com a mudança prevista para ser realizada um mês antes das eleições. O texto aprovado na Câmara estabelece uma redução gradual da jornada de trabalho, com a primeira etapa diminuindo a carga semanal em duas horas após 60 dias.
Essa implementação gradual visa causar impacto durante o período pré-eleitoral, o que levanta preocupações sobre a real intenção do governo, especialmente em um momento de queda de popularidade entre os trabalhadores de baixa renda.
A oposição, por sua vez, tem intensificado a crítica à falta de um debate aprofundado sobre as consequências econômicas da redução da jornada de trabalho. Parlamentares alertam que a mudança pode acarretar aumento de custos operacionais, repasse de preços ao consumidor e demissões em setores que dependem de mão de obra.
Nos bastidores do Senado, é esperado que a Casa enfrente forte pressão do setor empresarial durante a tramitação da PEC. A expectativa é de que o ambiente no Senado seja mais técnico e menos suscetível a apelos políticos, ao contrário do que ocorreu na Câmara.
Enquanto isso, a oposição tenta ganhar espaço com uma proposta alternativa apresentada pelo líder Rogério Marinho (PL-RN), que visa flexibilizar as relações de trabalho, criando um modelo opcional baseado em horas trabalhadas. Essa proposta altera o artigo 7º da Constituição para permitir que empregado e empregador escolham entre o regime tradicional e um formato flexível de jornada.
Nos bastidores, essa PEC alternativa é vista como uma tentativa da oposição de mudar o foco do debate, saindo da narrativa do “fim da 6×1” e direcionando a discussão para produtividade e modernização das relações trabalhistas.


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