No início dos anos 1980, músicos e produtores de Aracaju transformaram a própria cena musical ao organizar e promover festivais de rock autoral por toda a cidade. O esforço coletivo colocou bandas locais em evidência, criou espaços de apresentação e levou composições inéditas às rádios FM do estado.
Primeiros passos: 1984
O pontapé inicial ocorreu em 1984, quando a quadra do Conjunto Inácio Barbosa recebeu o primeiro festival de rock do período. As bandas Perigo de Vida e H2O dividiram o palco em um evento articulado pelos próprios integrantes, com organização de Wellington Rezende (Peruca) e Antônio Carlos Tavares (Repolho). Apesar de algum apoio institucional, o projeto se sustentou, sobretudo, na mobilização dos músicos.
Continuidade: 1985
No ano seguinte, o baixista Mercinho, do Perigo de Vida, uniu‐se a um coletivo do Conjunto Sol Nascente formado por Raimundo, Dau e Fio. Juntos, organizaram o show Luz, Som e Rock and Roll no Centro Social do bairro, mantido quase exclusivamente pela força de vontade dos participantes.
Crescimento: Encontro de Rock de 1987
Em 1987, o formato colaborativo ganhou força com o Encontro de Rock. O projeto percorreu vários pontos da capital — Escola Técnica Federal de Sergipe, Centro Social Urbano do DER, Auditório Lourival Batista e Centro Social do Conjunto Bugio — e reuniu Karne Krua, Crove Horrorshow, H2O, Passos Blues Band, Alice e Fome Africana, além do cantor Joalbo, ex‐Bandauê.
Consolidação em 1988
O Encontro de Rock retornou em 1988, desta vez na Associação Atlética, sob coordenação de Vicente Coda (Fome Africana) e Mercinho (Crove Horrorshow). Integraram a programação as bandas Filhos da Crise e Lulu Viçosa, liderada por Airton (Nem) e Anselmo Gordo, então estudantes da Universidade Federal de Sergipe.
Festival de Rock do Teatro Atheneu
Ainda em 1988, Coda e Mercinho, com apoio do jornalista Giovani Allievi, organizaram o Festival de Rock do Teatro Atheneu Sergipense. Cada grupo participante gravou duas faixas demo, cujos trechos foram veiculados em rádios FM locais, ampliando a visibilidade das produções autorais. Participaram Filhos da Crise, Lulu Viçosa, Crove Horrorshow, Karne Krua e Fome Africana.
Tentativas paralelas
Nem todas as iniciativas prosperaram. Um festival planejado para Atalaia Nova, em 1987, que incluiria a banda recifense Mundo Livre, não chegou a acontecer. No Festival de Artes de São Cristóvão, o Rock in Bica chegou a levar ao palco o grupo paulistano Inocentes.
A década encerrou‐se com a percepção de que, em Aracaju, fazer rock significava também assumir som, palco, divulgação e público — um processo coletivo que consolidou a identidade do rock independente local.
Com informações de Portal Infonet
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