Aracaju — O professor Dr. Roger D. Colacios, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), afirma que o consenso científico sobre o aquecimento global de origem humana contrasta com a retração política observada em acordos internacionais firmados desde 1997. Para o pesquisador, a retirada ou revisão de metas climáticas por governos de países centrais reforça a negação do fenômeno e desloca o debate para a adaptação, em vez da redução de emissões de gases de efeito estufa.
Colacios lembra que a expressão “mudanças climáticas” aparece na literatura científica desde a década de 1950, mas ganhou força a partir dos anos 1970, quando estudos passaram a focar o aquecimento global. Segundo ele, hoje há consenso entre cientistas de que a atividade humana, impulsionada pelo modelo de produção capitalista, é a principal responsável pela alteração do clima.
Apesar da clareza científica, o professor observa que a “movimentação política cambaleante” gera incerteza na opinião pública e dificulta a implementação de medidas eficazes. Ele aponta que a falta de pressão social consistente faz com que esforços de mitigação sejam substituídos por estratégias de resiliência ou adaptação, perspectiva adotada inclusive em programas da ONU e em políticas de vários países.
Para ilustrar como o tema é comunicado, Colacios classifica as imagens sobre mudanças climáticas em três categorias:
- Científicas: fotos de satélite, gráficos de temperatura e infográficos sobre ciclos do carbono;
- Sociais ou políticas: registros de protestos, montagens artísticas, memes e documentários;
- Culturais: filmes, animes, capas de livros e itens de consumo, como camisetas e canecas.
Na avaliação do pesquisador, enquanto os dois primeiros grupos buscam conscientizar e mobilizar a sociedade, a multiplicação de produtos culturais tende a naturalizar a crise climática, reforçando a ideia de que apenas resta aos seres humanos adaptar-se a um novo cenário global.
Colacios conclui que, sem pressão direta da sociedade, o avanço das mudanças climáticas continuará gerando efeitos sociais e econômicos graves, configurando um dos maiores desafios já enfrentados pela humanidade.
Com informações de Infonet
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