A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) promoveu, na manhã desta sexta-feira (7), uma audiência pública para analisar os efeitos da redução da vazão do Rio São Francisco sobre comunidades ribeirinhas, em especial marisqueiras e pescadores artesanais.
O encontro, organizado pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, atendeu a solicitação do Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras (CPP) e do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP). A autora da proposta, deputada estadual Linda Brasil (Psol), explicou que o objetivo foi verificar se as medidas de compensação já definidas estão alcançando quem depende do rio e discutir políticas públicas que garantam o acesso à água de qualidade sem comprometer o meio ambiente.
Denúncias de devastação
Representante do MPP, Carla Atanásio relatou diminuição do fluxo de água, formação de bancos de areia e trechos secos. “Diversos movimentos estão aqui para defender quem vive do Velho Chico. O rio está sendo violado”, afirmou.
Pelo CPP, Quitéria Gomes citou impactos da barragem de Xingó: extinção de espécies, assoreamento e ameaça à sobrevivência das comunidades. “Sem o rio, não há vida”, resumiu.
Chamados à revitalização
O padre e ativista Isaías Nascimento cobrou união entre governos estadual e federal pela revitalização. Segundo ele, desde os anos 1990 a Igreja alerta para o risco de o São Francisco tornar-se intermitente.
Morador de comunidade quilombola, o pescador e agricultor Ailton Rosa descreveu a salinização da água já a mais de 30 quilômetros da foz. “Dependemos de carro-pipa para beber; quando falta, ficamos sem água. O manguezal está desaparecendo e as plantações estão restritas a uma colheita por ano”, relatou.
O debate reforçou a necessidade de diálogo entre poder público, sociedade civil e movimentos sociais para preservar o rio e garantir a dignidade das populações que dele dependem.
Com informações de Assembleia Legislativa de Sergipe
Siga o Sergipe News e receba as notícias de Sergipe em primeira mão.








