O senador Rogério Carvalho (PT-SE) afirmou nesta terça-feira (4), em entrevista ao UOL News, que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dedicada ao crime organizado poderá esclarecer o funcionamento dessas estruturas criminosas e levar a ajustes na legislação brasileira.
“Se a CPI for muito bem-sucedida, a sociedade entenderá melhor como age o crime organizado, porque os holofotes estarão voltados para esse debate”, declarou o parlamentar.
Debate aprofundado e possíveis mudanças legais
Para Carvalho, a comissão garantiria um exame técnico prolongado do tema, com participação de especialistas e divulgação pública dos dados apurados. Ele acredita que o relatório final poderá sugerir novas linhas de investigação e reforçar ações já em andamento pelas autoridades.
O senador acrescentou que o trabalho da CPI tende a aproximar Congresso e Executivo em torno de um “pacote mais apurado” de proposições. “Esse é o resultado mais efetivo ao fim e ao cabo”, avaliou.
Paralelo com a CPI da Covid-19
Carvalho comparou o eventual impacto da nova comissão ao da CPI da Covid-19, que, na sua visão, ampliou a compreensão pública sobre a pandemia e combateu a desinformação. “Trazer o debate para o cotidiano das pessoas já será um resultado muito positivo”, observou.
Desinformação e ataques ao PT
Durante a entrevista, o senador comentou a decisão judicial que obrigou a plataforma X (antigo Twitter) a remover uma postagem do deputado Nikolas Ferreira, na qual o PT foi chamado de “Partido dos Traficantes”. Segundo Carvalho, publicações desse tipo fazem parte de uma “estratégia coordenada de desinformação e ataques à democracia”. Ele defendeu responsabilização para quem propaga conteúdo falso: “Não é liberdade de expressão, é crime”.
Projeto contra domínio territorial de facções e milícias
Em abril, Rogério Carvalho apresentou o Projeto de Lei 1.345/2025, que propõe incluir na Lei 12.850/2013 o crime de domínio territorial exercido por facções e milícias. O texto prevê penas de até 15 anos de prisão e autoriza métodos especiais de investigação, como interceptações, infiltração de agentes e colaboração premiada.
A proposta mira grupos que usam violência ou ameaça para controlar áreas, restringir a circulação de pessoas ou cobrar taxas, impondo autoridade paralela ao Estado.
Com informações de FaxAju
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