Aracaju – A Cooperativa de Produção, Economia Solidária de Agricultura de Campo do Brito (Coofama) iniciou, nesta quinta-feira, 30, o embarque de 27 toneladas de farinha de mandioca rumo à Itália. O lote integra um contrato que prevê a exportação de mais de 100 toneladas do produto para uma indústria alimentícia europeia especializada em massas sem glúten.
Processo de aprovação
A farinha sergipana obteve rapidamente o aval da importadora, pois o método de fabricação já atendia aos critérios exigidos pelo mercado europeu. A produção recebe acompanhamento técnico da Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca (Seagri) e da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).
Ações de apoio
De acordo com o diretor de Planejamento da Seagri, Arlindo Nery, o governo estadual tem investido em capacitação, participação em feiras internacionais e diálogo com a ApexBrasil para viabilizar a entrada de produtos da agricultura familiar em novos mercados. Esses incentivos incluem convênios, emendas, aquisição de equipamentos, pesquisa e assistência técnica.
Saúde da lavoura
O engenheiro agrônomo Adailton dos Santos, da Emdagro, lembra que a região enfrentou, anos atrás, uma doença que apodrecia a raiz da mandioca. A parceria entre Emdagro e Embrapa introduziu variedades resistentes, possibilitando a recuperação da cadeia produtiva e culminando na atual exportação.
Qualidade do produto
Segundo o gerente de Vendas da Coofama, Lucas Nascimento, a cooperativa oferece farinha fina, média e grossa. “Outros fornecedores não atenderam às especificações da empresa italiana; nós passamos nos testes com pequenos ajustes”, relata. É a primeira compra de farinha de mandioca brasileira realizada pelos empresários europeus, destaca o gerente.
Produção regional
A Coofama reúne 52 cooperados e produz cerca de 400 toneladas por mês para os mercados de Sergipe, Alagoas e São Paulo. Na chamada Rota da Farinha – que engloba Campo do Brito, Macambira e São Domingos – aproximadamente 500 casas de farinha realizam o beneficiamento, atividade reconhecida em 2022 como Patrimônio Cultural e Imaterial de Sergipe.
Geração de renda
O produtor Felipe dos Santos, 27 anos, aumentou sua produção semanal de 100 para 150 sacos graças ao novo contrato, o que permitiu a contratação de mais trabalhadores. “Antes trabalhávamos dois ou três dias; agora são quatro ou cinco”, explica. A raspadeira de mandioca Claudeci Silveira confirma o impacto: “A exportação trouxe renda extra e emprego para muita gente”.
A farinha embarcada em Campo do Brito deve chegar à União Europeia nas próximas semanas, abrindo caminho para novos negócios da agricultura familiar sergipana no exterior.
Com informações de Governo de Sergipe
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