Quem pensa que sessão ordinária é sinônimo de tédio nunca viu um dia de Pequeno e Grande Expediente na Câmara de Aracaju. Em poucos minutos, o plenário virou arena: vereadores transformaram reclamações em denúncias, diagnósticos em projetos e discursos em faíscas políticas. Teve defesa apaixonada da Zona de Expansão, denúncia de empresas fantasmas na saúde, críticas à Deso, ataques à PEC da Blindagem, cobranças sobre transporte público, apelos por inclusão social e até anúncio de livro. Entre aplausos, ironias e socos retóricos, cada vereador deixou sua marca, provando que, quando a temperatura sobe, a política municipal vira espetáculo de ação ao vivo.
Pequeno Expediente: 5 minutos, munição pesada
Anderson de Tuca (União) saiu do plenário direto da ala pediátrica do Santa Isabel: elogiou o atendimento humanizado, defendeu mais contratos e convidou o público para o lançamento do livro que conta a história de seu pai. Mostrou que política também se faz com memória e cuidado.
Camilo Daniel (PT) subiu a tribuna com indignação na voz: denunciou o colapso no abastecimento de água em Aracaju, Socorro e Barra, associando ao avanço da privatização da Deso. Ainda acusou o Congresso de priorizar a PEC da Blindagem e esquecer a redução do preço da energia. “Quando falta água e sobra impunidade, o povo paga duas vezes”, disparou.
Fábio Meireles (PDT) levou um vídeo de ônibus caindo aos pedaços, desmontando o discurso de que o transporte melhorou. Reforçou que ainda não há aval da STN para os ônibus elétricos e cobrou respostas imediatas da Prefeitura. “Não é oposição ou situação: é vergonha sobre rodas”, ironizou.
Iran Barbosa (PSOL) trouxe uma denúncia explosiva: médicos do Hospital da Criança estariam sendo forçados a assinar contratos como sócios-cotistas de empresas fantasmas em São Paulo. Pediu ação urgente do governador, MP, TCE e Alese. “Quarteirização virou brecha para escândalo”, alertou.
Levi Oliveira (PP) fez defesa firme da audiência pública da Zona de Expansão e criticou o ex-prefeito Marcos Santana por ironizar o evento. “Foi a Casa do Povo debatendo o futuro de milhares, e ele trata como piada”, retrucou.
Lúcio Flávio (PL), autor da audiência, explicou os encaminhamentos jurídicos para garantir que os seis bairros continuem pertencendo a Aracaju e rebateu críticas sobre transporte: “Ônibus velho não circula mais, e acabou”.
Marcel Azevedo (PSB) lembrou que todos os investimentos da região foram feitos por Aracaju e disse que os moradores “não querem sair da cidade que os acolheu”.
Selma França (PSD) emocionou ao defender o pertencimento da comunidade: “Não é só um mapa. São memórias, raízes, vidas”.
Sargento Byron (MDB) foi categórico: “Essa Câmara, a Procuradoria, os moradores, todos estavam lá defendendo 50 anos de investimentos da Prefeitura. E ainda dizem que não foi sério?”.
Thannata da Equoterapia (Mobiliza) fechou com humanidade: pediu apoio ao seu projeto que garante emprego e reinserção social para ex-dependentes químicos. “Não dá pra reconstruir a vida se todas as portas continuam fechadas”, disse, com voz firme.
Grande Expediente: discursos em alta voltagem
Quando o tempo subiu para 15 minutos, os discursos viraram maratona de ação.
Maurício Maravilha (União) abriu os trabalhos defendendo Aracaju na disputa territorial com São Cristóvão e cobrou um novo plano diretor “mais justo, inclusivo e verde”. Ainda relatou visita ao Robalo e prometeu acionar órgãos para resolver os problemas de infraestrutura da comunidade.
Miltinho Dantas (PSD) retomou a defesa da Zona de Expansão e disparou contra quem tenta transformar o povo em massa de manobra. Também cobrou melhorias da Deso, elogiou o Governo do Estado pela resposta rápida e ainda achou fôlego para homenagear a AABB pelos 80 anos e celebrar a Corrida dos Bancários.
Pastor Diego (União) trouxe um alerta pesado: revelou ter recebido ameaças de morte nas redes sociais por causa de seu posicionamento político e pediu o fim da violência no debate público. “Divergência não se resolve com bala”, resumiu.
Sônia Meire (PSOL) encerrou como um trovão: denunciou a PEC da Blindagem e criticou a permissão para que Eduardo Bolsonaro reassuma o mandato mesmo morando fora do país há mais de 200 dias. “Essa PEC não protege a democracia, protege criminosos de terno”, afirmou.
No Parlatório e os discursos
Anderson de Tuca e o “hospital do futuro” – Anderson de Tuca (União) invadiu os corredores do Hospital e Maternidade Santa Isabel como quem entra num laboratório de ficção científica: piso novo, salas climatizadas e pediatria com carrinhos coloridos levando crianças para o centro cirúrgico como se fossem pilotos rumo à pole position da vida. Entre selfies e anotações, Anderson foi direto: “Humanizar salva — e o Santa Isabel está no caminho certo”. Sobrou elogio ao diretor Rubens Moreira (“fez em dois anos o que muitos não fizeram nunca”) e cobrança à Prefeitura: quer mais contratos, mais cirurgias eletivas e menos espera. “Aracaju precisa de um hospital de verdade — e esse pode ser o Santa Isabel”, cravou.
Miltinho Dantas ergue a bandeira da Zona de Expansão – No plenário, Miltinho Dantas (PSD) foi puro trovão. Em defesa da permanência da Zona de Expansão sob gestão de Aracaju, disparou contra quem tenta “tratar o povo como massa de manobra” e exigiu respeito à comunidade. Com dedo em riste, lembrou que por trás dos mapas existem famílias, amigos e histórias, e que “a população de hoje é instruída e sabe cobrar”. Resultado: saiu do microfone como guardião juramentado da Zona, prometendo que ninguém tomará a região da capital “enquanto ele estiver na trincheira”.
Câmara ganha novos espectadores de toga – Estudantes de Direito da Estácio tomaram os corredores da CMA e transformaram a manhã em um episódio de “Jovens Advogados em Ação”. Quem comandou a aula-show foi o Sargento Byron (MDB), que explicou cada passo do processo legislativo e mandou o recado: “Quem quer mudar o país precisa entender como as leis nascem. Aqui eles viram isso de perto”. Entre selfies, projetos e discursos, os futuros juristas saíram com brilho nos olhos — e talvez com vontade de disputar cadeira ali mesmo.miltimiltinho
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Iran Barbosa expõe bomba no Hospital da Criança Iran Barbosa (PSOL) trouxe ao plenário uma denúncia digna de série investigativa: segundo o Sindimed, médicos do Hospital da Criança estariam sendo forçados a assinar contratos como sócios-cotistas de empresas fantasmas em São Paulo. “Isso é muito sério”, alertou, exigindo ação imediata do governador e investigações do MP, TCE e Assembleia. Com fala firme, lembrou: “Quando o Estado terceiriza e a OS quarteiriza, sobra risco para o povo”. A bomba foi lançada — agora o governo precisa desarmá-la.
Bigode do Santa Maria solta o grito: “Zona de Expansão é de Aracaju!” – Na audiência pública, Bigode do Santa Maria largou um discurso que parecia arrancado do peito: “Esperei 30 anos por obras, porque diziam que não sabiam se aqui era Aracaju ou São Cristóvão!”. Alertou sobre as consequências da decisão do STF que pode devolver 11% do território à cidade vizinha e disse que São Cristóvão não teria condições de absorver a população. “Tem gente em depressão só de imaginar essa mudança”, disparou. Bigode saiu ovacionado e a Zona de Expansão ganhou mais um defensor de armadura completa.
Fausto Leite
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