Só este ano, mais de 15 mil pacientes do Huse foram de Aracaju

                                     Cerca de 80% desse atendimento deveria ser prestado pelo município nas UPAs

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Com avançado parque tecnológico e equipe profissional capacitada, o Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) é a unidade do Estado destinada ao atendimento de urgência e emergência em alta complexidade. Porém, por ser porta aberta, continua sendo a válvula de escape de quem não consegue assistência na Rede Básica, ou seja, nas Unidades de Saúde e de Pronto Atendimento municipais.

Para se ter uma ideia, foram 51.801 atendimentos de janeiro a abril de 2016. Desse total, 15.190 usuários foram moradores de Aracaju, segundo o Sistema de Gerenciamento de Unidades de Emergência, representando o maior percentual de atendimento do Estado.

Dos 56 bairros da capital, o Santos Dumont foi o que mais enviou pacientes ao Huse no primeiro quadrimestre: 813 pessoas. Em seguida, aparece o bairro América, com 634 pacientes demandados. Ainda no período, foram 547 usuários do bairro Santa Maria.

Nesse ranking também aparecem 460 pacientes provenientes do Bugio. O Novo Paraíso demandou 310 pessoas, Siqueira Campos (307), Olaria (291), Lamarão (280), Cidade Nova (257), Industrial (252), 18 do forte (193), Coroa do Meio (192), Luzia (107), Porto Dantas (86), Suíssa (72), Orlando Dantas (66), 13 de junho (23).

O autônomo João Estevão Santos esteve no Huse na manhã desta quarta-feira, 04, após peregrinar com a irmã em busca de um atendimento no bairro Farolândia e, em seguida, no Santa Maria. “Ela estava com muita moleza no corpo e diarreia. Como não tinha médico, recorremos ao Hospital de Urgências. De imediato, ela foi atendida aqui, medicada e esteve em observação”, afirmou.

“Sem distinção, o Huse acolhe a todos e oferece o melhor atendimento. A Ala Azul do hospital continua recebendo pacientes que deveriam estar nas UPAs e em Hospitais Municipais destinados à baixa complexidade, o que gera a superlotação e compromete o fluxo. Isso mostra que ainda é clara a dificuldade do usuário em conseguir assistência rápida e de qualidade em casos menos complexos, que poderiam ser resolvidos na atenção básica”, afirma Hans Lobo, diretor geral da Fundação Hospitalar de Saúde.

Para a secretária de Estado da Saúde, Conceição Mendonça, “quando existe algum problema na rede municipal, automaticamente, os pacientes buscam o Huse, o que aumenta a demanda e superlota a unidade. Mesmo assim, quem chega ao hospital tem o atendimento garantido”.

Casos

Atualmente, no Pronto Socorro do maior hospital público do Estado, cerca de 80% dos pacientes sequer geram internação porque deveriam estar nas Unidades Básicas de Saúde ou nas Unidades de Pronto Atendimento. São casos de febre, vômito, diarreia, constipação, conjuntivite, cólica menstrual, unha encravada, náusea, urticária e até piolho.

Segundo dados do Sistema de Gerenciamento de Unidades de Emergência, de janeiro a abril deste ano foram 208 casos de cansaço, 15 de cólicas menstruais, 14 pessoas com conjuntivite, 99 com constipação e 216 com diarréia.

Ainda no Pronto Socorro do Huse, 1013 usuários deram entrada com dor de cabeça, 856 com dor de ouvido, 607 com febre, 577 com falta de ar, 14 pessoas com náusea, 324 com mal-estar e 433 pessoas com olho vermelho.

Foram ainda 111 pessoas com tosse, 407 com vômitos, 69 casos de virose, 22 pessoas com unha encravada, 6 casos de soluços, 8 com torcicolo  e 1 caso com escabiose.

Para a secretária de Estado da Saúde, Conceição Mendonça, “como o SUS é universal e democrático, o Huse abraça esse paciente que não encontrou a assistência básica. A superlotação ocasiona aumento de custos de recursos humanos e de insumos muito acima do planejado. O usuário encontra no Huse qualidade no serviço”.

Ainda de acordo com a secretária, “o Estado cumpre muito além do seu papel, garantindo, inclusive, o atendimento que não seria de sua complexidade. A Rede Estadual absorve e garante assistência a quem não consegue bater em outra porta”.

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