O BRASIL NAS RUAS

Desde a redemocratização em nosso país, na década de 80 não víamos tantos escândalos. O Brasil passa por uma séria crise político-administrativa em todos os setores, haja vista a quantidade de ministérios e cargos que produzem o grande inchaço da máquina pública. A presidente reeleita iniciou sua gestão com grandes dificuldades relacionadas à corrupção e às manchetes policiais, o que conferiu a mesma um descontrole e dificuldades para conduzir seu segundo mandato.
O descontentamento dos brasileiros reluz a grave crise de representação que acontece no país. Os partidos e políticos são os maiores alvos das manifestações recentes no Brasil. Pessoas de todos os níveis educacionais, de norte a sul do país, têm externado tamanha indignação com a falta de respeito que o sistema político atual produz diariamente. Diferente do que aconteceu nos últimos 10 anos, este ano tem tido suas peculiaridades: os brasileiros atingiram níveis altos de descontentamentos, assim como a gota d’água que faz o copo transbordar.
Assistimos às incompetências em todas as áreas do governo. O Palácio do Planalto não tem força política para controlar ou fazer cessar tal crise, sendo este o maior problema. Diferentemente do que ocorreu nos governos de FHC e Lula, quando os mesmos enfrentaram crises governamentais, a atual gestão da presidente Dilma não dispõe da mesma força e “pulso administrativo”, principalmente quando o assunto é a Câmara dos Deputados, que inclusive, o governo teve seu candidato oposicionista eleito presidente.
Desde a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, os brasileiros não assistiam a tantos descasos e desvios do dinheiro público. Dia após dia, novos escândalos aparecem nas mídias de comunicação, sendo a internet uma grande disseminadora dos fatos expostos. Diversos nomes da cúpula governista têm sido condenados pelos tribunais. No entanto, a presidente não expõe metas que possam ser traçadas para o real combate a tanta corrupção. Desta forma, os brasileiros têm chegado ao topo no que tange ao descontentamento e ao inconformismo.
No ano passado, a população ficou conhecida por ir às ruas pelos R$ 0,20, mas aquilo foi apenas o estopim para o tamanho do problema que estavam vivendo. O governo já passava por crises intensas, mas a maioria interna, o que permitiu a ele uma maior comodidade em sua campanha eleitoral conseguiu assim, conduzir aquela situação com maestria. Mas o mesmo não aconteceu nos últimos meses deste ano. Apesar de reeleita, a presidente teve apenas 38% (trinta e oito por cento) dos votos válidos. Estes através de uma campanha calçada na mentira e bancada pelos cartéis que parasitam a economia do nosso país inclusive notórias empreiteiras que foram abarcadas e capturadas pela operação Lava Jato.
A presidente Dilma vive um dos piores índices de reprovação da história do nosso país. A crise trabalhista e política também chegaram ao Nordeste, sendo este curral eleitoral do PT. Ou seja, todas as regiões passaram a observar com singularidade e enfoque os acontecimentos nacionais. Além disso, a gestão atual tem também a mais alta taxa de desaprovação a um governante desde setembro de 1992, quando Fernando Collor era rejeitado por 68% (sessenta e oito por cento) dos brasileiros nas vésperas do impeachment.
Os números são símbolos de um governo fraco e incompetente, pois a população está cansada de ver a alta da taxa de juros, assim como os impostos, a energia e a gasolina. É visível notar o quanto o governo está desgastado, tendo em vista a última pesquisa Datafolha, realizada entre quinta (9) e sexta (10) de abril: a aprovação da presidente está apenas em 13% (treze por cento). Raras foram às vezes no país em que o índice de aprovação foi inferior ao de rejeição. No entanto, mesmo ladeado por tantos problemas, o Planalto não dispõe de uma política eficiente de corte de gastos públicos, e os quase quarenta ministérios são o maior sinal do descontrole administrativo.
Diante de tantos descasos visíveis no Brasil, os protestos que aconteceram este ano são a maior prova condizente de tamanho inconformismo gerado pela Presidente da República mediante os cidadãos do país. O primeiro protesto que ocorreu em março do corrente ano levou cerca de um milhão de brasileiros às ruas da Avenida Paulista, localizada em São Paulo, a maior cidade da América Latina. As manifestações abalaram circunstancialmente a base governista, principalmente a presidente Dilma e seus aliados ministeriais. O maior fato gerador para tanta avidez brasileira tem sido sem dúvida, a corrupção, pois a matéria desrespeita a todos: vai desde o medicamento que poderá faltar à criança carente devido os desvios de dinheiro, assim como a alta taxa de juros que afeta diretamente o mercado empresarial.
Difícil tem sido a compreensão dos brasileiros no tocante à mobilização do governo federal para controlar as altas de impostos e escândalos de corrupção noticiados no quotidiano. Os mesmos passaram a não acreditar mais nas palavras transmitidas por Dilma e sua assessoria, mediante os noticiários que dão aos ouvintes a possibilidade de vislumbrarem as tantas facetas produzidas pelo Palácio do Planalto e seus aliados. É notório também que a condução da atual administração da presidente tem sido um dos maiores problemas que a mesma já pôde enfrentar desde sua entrada à vida pública.
Pois bem, chega um ponto em que qualquer situação pode passar a ser o estopim, e qualquer circunstância poderá atuar contra “o líder”, neste caso, a presidente Dilma Rousseff, sendo o momento atual visivelmente péssimo para os ícones políticos abarcados pelos escândalos. O gigante realmente está acordado desta vez e brasileiro forte e ávido é o que foi às ruas lutar pelo melhoramento e avanço do país, como bem menciona o hino nacional: um filho teu não foge à luta! É o que reluz de forma simplificada o momento atual da crise político-administrativa vivenciada pelos setores públicos e a vontade de mudança transmitida pela população.
Ainda assim, com tantos motivos para o descontentamento em diversos âmbitos, a última manifestação feita este mês, teve o total de protestantes reduzida. Mas diminuição na quantidade de pessoas não deve diminuir também a atenção dos políticos perante a situação atual ou produzir uma simbologia de aceitação por partes das que não foram novamente. Significa sim, um grande cansaço dos cidadãos e um inconformismo grandioso diante de tantas falcatruas e politicagens feitas com a máquina pública, fatos que deixam o trabalhador sempre “em modo de espera” para novos tributos, os quais corroem diretamente a inflação e o bolso dos mesmos. Inflação esta que esteve controlada por décadas, mas até algo que estava estável em diferentes momentos, foi alvo do descaso e má gestão do governo federal.
Desta forma, as manifestações são sempre muito construtivas em todos os lugares do mundo e expressam notoriamente a força da democracia e a renova com sinais esplêndidos. É fundamental para o governo saber entender o sentimento das ruas e poder contribuir com o avante pedido em todos os estados do país. Mas mais que isso, é essencial que a população continue no mesmo caminho para o acompanhamento e “alfabetização política”, principalmente a nova era de jovens engajados que querem desinstalar o balcão de negócios instituído no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional, e pôr fim a promiscuidade política que se alastra por todos os setores do nosso país.

Luana Oliveir

Acadêmica 3º Período  curso Direito

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