Por Stephanie Macêdo

A necessidade prolongada de isolamento e o medo provocado pela alta letalidade trazida pelo novo coronavírus vêm afetando também a saúde mental das pessoas. Com base nessa realidade, o Senado aprovou um  Projeto de Lei (PL) que cria um programa voltado a pessoas com problemas psicológicos gerados pelo longo período de distanciamento social durante a pandemia. O texto, aprovado nesta última quarta-feira (7), segue para a Câmara Federal para votação.

Sergipe

Também preocupado com o aumento desses casos de estresse, ansiedade e depressão em meio à pandemia, o deputado estadual Dr. Samuel Carvalho (Cidadania) destaca a importância de políticas públicas que valorizem a vida. Ele é autor do o Projeto Basta, lançada em outubro  de 2019 com o objetivo de realizar ações nas ruas e em escolas com intuito de conscientizar e prevenir sobre à automutilação, depressão e suicídio.

“Essa pauta acabou de tornando uma das nossas bandeiras de vida. Desde 2019 que a gente vem trabalhando muito nas escolas com o projeto Basta, falando sobre bullying, depressão, automutilação e suicídio. E esse programa do Senado é de extrema importância porque é voltado a pessoas com problemas psicológicos gerados pelo longo período de distanciamento social durante a pandemia. Ou seja, é um programa que vai amenizar os efeitos pós pandemia durante um longo período”, declarou o parlamentar.

Projeto do Senado

O programa deverá ter a duração de 730 dias após o fim da pandemia no país, conforme reconhecido oficialmente pela autoridade sanitária federal. E deverá, ainda, priorizar o atendimento a profissionais de saúde que atuam diretamente na assistência aos pacientes com covid-19. O projeto teve apoio de todos os senadores. Foram 73 votos favoráveis, nenhum contrário.

O projeto aprovado no Senado não detalha o atendimento, mas confere ao Sistema Único de Saúde (SUS) a competência de adotar um programa específico por meio da sua rede de atenção psicossocial e das unidades básicas de Saúde. O SUS também poderá firmar parcerias com órgãos da administração pública e com serviços privados.

Dados

Estudo feito pelo Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ano 2020, apontou que os casos de depressão praticamente dobraram desde o início da quarentena. De acordo com dados coletados via online, entre os meses  de março e abril do mesmo ano, o percentual de pessoas com depressão saltou de 4,2% para 8,0%, enquanto para os quadros de ansiedade o índice foi de 8,7% para 14,9%.

 

Foto: Joel Luiz