Produtores, pesquisadores e empresas discutiram custos, tecnologia e produtividade no 4º Citros Show Nordeste. Evento reuniu o setor em Aracaju com apoio do Banco do Nordeste.
A crise no mercado internacional de suco de laranja e as estratégias para reduzir custos e aumentar a eficiência no campo foram temas centrais do primeiro dia do 4º Citros Show Nordeste, realizado em Aracaju no dia 12 de agosto de 2026.
O evento contou com a participação de produtores, pesquisadores, consultores e empresas do setor, promovendo um espaço para discutir os desafios enfrentados pela citricultura e apresentar novas tecnologias e práticas que possam melhorar o rendimento dos pomares. A iniciativa foi organizada pela Campos de Lima Consultoria, com o apoio do Banco do Nordeste.
De acordo com o engenheiro agrônomo e organizador do evento, cerca de 90% do suco de laranja brasileiro é destinado ao mercado externo, com destaque para os Estados Unidos e a União Europeia. Recentemente, após um período de valorização do produto, a demanda internacional começou a cair, resultando em estoques elevados na indústria e uma consequente pressão sobre os preços pagos aos produtores.
“Nos últimos anos, o setor passou por movimentos opostos. Períodos de baixa produção provocados por questões climáticas fizeram os preços do suco dispararem, estimulando investimentos da indústria e o aumento da produção. Com a valorização, porém, o consumo internacional perdeu força e as indústrias passaram a acumular estoques”, afirmou o organizador do evento.
Esse cenário já impacta as decisões dentro das propriedades, especialmente em relação aos investimentos nos pomares. No sul de Sergipe, onde uma parte considerável da produção é comercializada diretamente na propriedade, os produtores estão mais cautelosos ao avaliar os custos e o retorno de cada área cultivada.
“Hoje a gente tem pomares de várias idades e um dos grandes desafios é entregar na medida certa. Vale a pena investir? Não vale? Investe parcialmente ou totalmente? Essa é a discussão diária nossa enquanto produtor”, comentou Marcos Trindade, produtor de laranja de Umbaúba.
O evento também enfatizou a importância da tecnologia e da gestão na citricultura. Durante o primeiro dia, os participantes assistiram a palestras sobre bioestimulantes, aplicações por drones e qualidade das mudas, focando em alternativas que possam otimizar o desempenho dos pomares e tornar o uso de insumos mais eficiente.
A gestão de custos foi outro ponto abordado, com debates sobre ajustes orçamentários, ferramentas de controle administrativo e a aplicação de tecnologias que transformam dados da propriedade em informações úteis para a tomada de decisão.
“A crise é justamente o momento em que você precisa controlar os custos. Quando você utiliza inteligências artificiais para acompanhar isso diariamente e transforma esses dados em informação, consegue enxergar onde está gastando mais e tomar decisões olhando para o futuro”, explicou Wagner Pires, especialista em Tecnologia da Informação.
Além das palestras, o primeiro dia do Citros Show também incluiu uma feira de negócios com mais de 40 expositores de segmentos relacionados à cadeia citrícola. O espaço apresentou soluções em nutrição foliar e do solo, máquinas, implementos agrícolas, drones e tecnologias voltadas para o processamento do suco de laranja.
A programação do 4º Citros Show Nordeste prossegue nesta quinta-feira, 13, com discussões sobre manejo, controle de doenças e pragas, mecanização da colheita e as perspectivas do mercado para o futuro da citricultura na região.
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