Capitão Samuel pede valorização dos policiais militares e bombeiros

 

Capitão Samuel pede valorização dos policiais militares e bombeiros (Foto: César de Oliveira)

Capitão Samuel pede valorização dos policiais militares e bombeiros 

Ainda falando de segurança pública, o parlamentar apresentou um e-mail, enviado por policiais militares de Sergipe, onde eles relatam as péssimas condições de emprego. Confira o texto na íntegra:

“Por razões óbvias peço que mantenha o sigilo da fonte. Utilizo-me deste espaço para evidenciar o total clima de insatisfação que ora reina no seio da Polícia Militar de Sergipe.

Já foi anunciado pelo Governo o Estado que, gradativamente, o estado de Sergipe vai atingindo o limite que o posiciona dentro da lei de responsabilidade fiscal. Isso significa dizer que dentro em breve os servidores gerais do estado (alcunhados pelo governador Marcelo Déda de “RAIA MIÚDA”) verão implantados o seu PCCV e os nossos colegas policiais civis, com todos os méritos, passarão a ser remunerados por subsídio e terão sua carreira fluindo através da promoção automática.

No ano de 2009 todos viram o que aconteceu na Polícia Militar quando o governador do Estado adotou medidas de tratamento diferenciado dentro da secretaria. Ao conceder um honroso reajuste à Polícia Civil e dar-lhes o nível superior para ingresso , o governo acentuou a baixa estima dos militares estaduais e passamos a enxergar nos quartéis a insatisfação reinante que fez eclodir o movimento “Tolerância Zero”.

Meu amigo jornalista e seus leitores, os últimos acontecimentos envolvendo a morte de policiais militares está sendo minimizado pela SSP. Porém não devemos deixar de enxergar a verdade que perversamente é escondida. Sob a alegação de que policiais militares fazem bico e da criminalização da jornada extra de trabalho, esconde-se que estamos com perdas salariais que beiram quase 30%. Em virtude disso, e como profissionais honestos que são, muitos militares estaduais estão voltando a fazer atividade extra para honrar seus compromissos. Prática que, caso a remuneração estivesse sendo atualizada, não se teria por necessidade.

Muitos estão deixando suas casas financiadas e voltando a residir em vilas, desfazendo-se de bens para poder honrar o pagamento da escola de seus filhos e adequar o orçamento a uma realidade que há bem pouco tempo atrás fazia que tivessemos uma das piores remunerações do Brasil. Em poucos anos voltamos para o final da fila do país neste quesito, com muitos policiais sem condições orçamentárias.

No estado de Alagoas, nosso vizinho, assistimos à caçada para que se efetuassem as prisões de malfeitores que assassinaram covardemente dois policiais militares. O próprio Secretário de Segurança participou das incursões, como forma de motivar seus comandados. Aqui em Sergipe, cuja secretaria é comandada por um político, assistimos a total apatia e o despejar de desculpas esfarrapadas todos os dias para justificar a violência geral e a morte dos nossos companheiros. A única providência de impacto realmente utilizada, foi a de proibir que os nomes da vítima de homicídio fossem divulgados pelo IML. Medida essa que enxergamos como uma forma de as famílias e populares não clamarem diariamente pela elucidação desses crimes.

Na gestão de Mendonça Prado, diversos policiais militares foram assassinados e nenhum desses crimes foi elucidado, A tropa está sem apoio. Abandonada. Tropa essa que muitas vezes marchou junto com o Secretário, num passada não tão distante, em busca de melhorias (ou será de votos?).

Enfim, caro jornalista, o clima de insatisfação é geral. Maior até que naquele distante ano de 2009. E as autoridades estão se omitindo e fechando os olhos para o que está acontecendo. O principal prejudicado não é aquela autoridade que tem segurança custeada pelo Estado, que mora em condomínios de luxo, ou que mora em bairros ditos nobres… O principal prejudicado é povo sergipano, pois o barril de pólvora está prestes a explodir e desta vez com consequências imprevisíveis face os atuais índices de violência do estado de Sergipe!

É chegada a hora de dar um basta nesta situação de termos uma só secretaria de segurança e dois tratamentos para as forças policiais! Chega de humilhação!”

Após leitura do e-mail, Samuel diz que teme coisas piores. “Eu quero saber se só o policial civil tem valor. Porque parece que o Estado sempre esquece dos militares e dos bombeiros, valorizando apenas os civis. Faço um aviso: se essas duas categorias cruzarem os braços, a violência vai aumentar e muito e eles não podem ser culpados, pois não têm as mínimas condições de trabalho”, afirmou.

 

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