CANINDÉ: REI MORTO, REI POSTO, DE UM REINO FALIDO

‘Senhor cidadão, eu quero saber, com quantos quilos de medo se faz uma tradição”.

Passada a comoção geral e repentina causada pela morte do ex-prefeito de Canindé, Orlando Andrade (Orlandinho), o canindeense olhou para o futuro com um ar questionador. Como seria a administração Ednaldo? O que mudaria? Calados estávamos. Calados ficamos, quase todos.

O futuro chegou e cobrou os erros do passado.

A resposta não foi boa.

A reforma administrativa necessária a um novo governo não ocorreu. As mesmas caras e os mesmos vícios permaneceram. Os acordos políticos foram mantidos. A crise se agravou e, mais uma vez, o povo está pagando.

Serviços básicos como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil foram temporariamente suspensos. No hospital local já chegou a faltar até insumos básicos como agulhas para aplicação de medicação. Enquanto isso, alguns membros do alto escalão do governo escondem os fatos, passando pra população a ilusão de uma normalidade que não existe.

A situação é de calamidade. As demissões recorrentes de funcionários contratados são prova disso. A nova lista de desempregados, divulgada na última sexta-feira, escancarou o problema. Segundo o prefeito Ednaldo da Farmácia, os salários dos 1182 servidores efetivos comprometem o orçamento e tornam o município administrativamente inviável.

Essa história é velha, como diria o matuto. Depois de eleito, o Bem Amado Heleno Silva passou seus 4 anos na mesma ladainha, mas sem mostrar no que empenhava o dinheiro canindeense. Por outro lado, Ednaldo teve a dignidade de abrir as contas do município e mostrar na ponta do lápis o que não sai da ponta da língua, mostrando o valor pago a cada empresa e cada contrato numerado.

A transparência das contas públicas permite ao cidadão ver que a maior massa salarial está abaixo dos R$ 2 mil, como mostra a imagem abaixo. Os altos salários são justamente os de profissionais da saúde e educação, o que é típico de se ver. As disparidades estão no ordenado de alguns ex-secretários e ex-paparicados que incorporaram gratificações graças à boa vontade de administradores passados.

Como disse Nelson Rodrigues, subdesenvolvimento não se constrói de improviso, é uma obra de vários anos. Nessa obra canindeense, cada uma das administrações passadas deu sua contribuição. Os royalties da produção de energia de Xingó foram se consolidando como a única fonte de receita. O Velho Chico cobrou. A fonte de Xingó cessou. O Projeto Califórnia falhou. O programa de turismo não vingou (para o município).

Restou ao prefeito de agora mendigar verba federal em Brasília. Restará aos prefeitos futuros o dinheiro sujo dos pactos de sangue que trazem as emendas parlamentares. Ao canindeense, sobra o futuro subdesenvolvido dos sem-vontade.

Não deixem que nos roubem a Esperança.

Por: Denisson Santos
Canindeense, católico, apaixonado pelo Sertão, quase doutor em Engenharia de Processos. Aprendiz na Política, amante da leitura.

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