Mandato coletivo: Grupos se organizam para lançar candidatos ao Legislativo

Por Debora Matos

 

 

 

Transformar a velha política em mais voz para o povo. Essa é a principal função daqueles que pretendem erguer a bandeira do mandato coletivo. O método pode não ser inédito, mas é uma novidade para as eleições gerais, de 2020. Na urna, o sistema não muda: aparece apenas uma foto e um nome, como de costume. Mas, por trás do mandato, e daquele “político cabeça”, a ideia é que um coletivo de pessoas decida, em conjunto, tudo o que será feito nos próximos quatro anos.

 

O sistema parece igual a outros mandatos, cujos políticos têm o apoio de assessores e parlamentares para ajudá-los nas decisões e estratégias. Mas, há uma série de diferenças propostas pelos grupos de mandatos coletivos. Uma delas  é que, nas votações, por exemplo, o grupo faça uma roda de conversa para decidir sobre determinado assunto. Sairá vitoriosa a decisão da maioria, mesmo que seja contrária à opinião do “candidato oficial”. Em alguns casos, os grupos podem até dividir o salário político entre os participantes.

 

O assunto não é novo. Em 2016, um grupo de cinco amigos ganhou uma vaga para vereador no município de Alto Paraíso (GO). João Yuji (PTN-GO) foi eleito para a Câmara Municipal, mas ele apenas representava os outros quatro nas urnas. No dia a dia, todas as decisões são tomadas em conjunto. O grupo escreveu um contrato com todas as normas do mandato coletivo e  segue o modelo desde então. Já em Minas Gerais, o coletivo “Muitas”, o qual integram duas mulheres, assumiu também o mandato de vereadoras.

 

Nas eleições de 2020, o Portal Sergipe News mapeou quatro grupos que já estão montando estratégias para as campanhas coletivas. Canindé, Barra dos Coqueiros, Aracaju e Estância.Esta é a primeira vez que o município de Estância terá uma candidatura coletiva para um cargo. E se os outros forem eleitos, será a primeira vez de coletivos também no estado de Sergipe.

Portal Sergipe News conversou com dois dos quatro grupos para saber mais sobre as propostas do coletivo, e como eles irão, na prática, funcionar.

Representatividade – Bancada Ruralista –  Estância

 Entrevistamos o Jornalista Claudio Vasconcelos e abordamos a novidade. Segundo Claudio, o que tem unido o grupo são  às pautas em comum, em favor das minorias. A aliança liga interesses dos movimentos sociais, juventude e trabalhadores rurais. Para eles, há uma crise de representatividade que foi exteriorizada nas manifestações na ultima eleição. Por isso, a proposta é uma “substituição do atual desenho político” de transformar a visão do parlamentar com alto salário e cheio de privilégios. “A pergunta é: por que não? Por que não ocupar a mesma cadeira com todos representando os interesses do povo? Queremos mostrar que é possível um vereador ganhar um salário justo e atender à demanda colocada pela população”, afirma Claudio Vasconcelos. Claudio também ressaltou a importância de formar uma ampla bancada ruralista, para junto avançarem nas demandas da região.

 

 

BARRA DOS COQUEIROS

 

No caso do Jornalista Pedro Henrique, na Barra dos Coqueiros o Conjunto 18, como o próprio nome diz, serão 18 integrantes do mandato coletivo, que disputam uma vaga pela Rede. O grupo ressalta que acredita na transformação da política por meio da cocriação coletiva. Ou seja, todos juntos. Revela Pedro.

 

 

 

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